segunda-feira, 14 de outubro de 2013

I Drove All Night

 A madrugada em claro, dirigindo, não aguentaria passar mais uma noite sozinho. Entrou no carro e rumou em direção onde seu amado estava. Horas a foi pensando vendo as luzes da estrada passando sobre o carro, faróis vindo na pista de direção contraria e a luz das estrelas até onde a vista alcançava. Deveria ter ligado antes para avisar? Agora já era tarde, não demoraria muito para atingir seu destino.
 Foi o caminho todo pensando por tudo o que passaram juntos, os momentos felizes, os problemas, as brigas e as reconciliações. A distância sempre foi um empecilho de estarem juntos, viam-se quase todo mês, mas no último aconteceram tantos imprevistos que não conseguiram se encontrar, a saudade o queimava por dentro, não aguentaria esperar mais um mês. Não mais uma noite escura e gelada, não sozinho.
 As luzes foram ficando mais intensas, havia chego finalmente, o relógio marcava exatamente meia noite, cinco horas de estrada sem pausa. Sabia o endereço, assim como que caminho pegar para chegar mais rápido, poucos minutos se passaram até chegar. Desligou o carro, respirou fundo e andou em direção a porta. Tocou a campainha e esperou, minutos se passaram e nada, tocou novamente e o mesmo resultado. Será que ele não estava em casa? Dirigiu para não conseguir vê-lo? Realmente deveria ter ligado antes. Deu meia e andou em direção ao carro, cabisbaixo, quando um barulho veio da direção da porta, a chave girando na fechadura. Virou quase instantaneamente e se aproximou de volta da casa. A porta se abriu.
“Surpresa!”

Escrevi esse texto dia 07/08/2012, no começo da paixão que me toma até hoje, ele resumia minha unica vontade até então.
Qualquer semelhança com a música 'I Drove All Nigh' não é mera coincidência, era minha música mais ouvida naquela época, deixo aqui a minha versão favorita, caso queiram ouvir.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sorrisos

 De todos os sorrisos que já vi, nenhum se assemelha em contagio e aconchego como o sorriso do gato risonho. Esse sorriso prata no céu que aparece de tempos em tempos pra brincar. Numa noite fria e sem estrelas ele vem para dar um reflexo de alegria na noite melancólica. Vem brincar comigo de esconde esconde entre as nuvens e as arvores. Sim, comigo, uma das poucas pessoas, se não a única que reconhece a sua existência, que sabe de sua importância e espera ansiosamente cada aparição desse risonho amigo.
 "Wish upon a star" alguns dizem, eu prefiro "Wish upon a cat, a Cheshire Cat", alguém bem mais próximo de nós, um ser bem mais divertido que toma a importância central no céu noturno, vagando, dançando e sorrindo. Espero algum dia realmente o conhecer, brincar lado a lado dele e o fazer companhia, já que as estrelas o rejeitam, têm inveja dele.
 Acho que Lewis Carroll se sentira orgulhoso por mim, sabendo que seu companheiro de aventuras, seu conselheiro noturno e seu grande amigo e inspiração, não morreu. Permanece vivo pra um simples homem que nunca abandonou sua criança interior e até hoje pede conselhos para um amigo no céu.

domingo, 15 de julho de 2012

He's gonne

 Por que eu o deixei escapar? Foi uma das pessoas que mais conseguiu me fazer feliz e hoje em dia eu não consigo nem lembrar o porque de a gente ter se separado. Admito, estou feliz por ver ele com quem está, de fato até contribui pra que acontecesse, mas ontem meu pensamento era muito diferente.
 Me arrependo do passado, de ter me afastado e deixado aquilo que existia entre nós morrer, se eu batalhasse mais um pouco, se eu não tivesse deixado meu interesse diminuir, quem sabe ainda estaríamos juntos e eu teria evitado varias decepções, não teria me machucado com certas pessoas e ainda teria um dos meus melhores amigos. Não é a primeira vez que eu me arrependo de ter ferrado uma relação, possivelmente não será a ultima. Na ultima vez que tive esse sentimento eu consegui superar com um pouco de tempo, quem sabe reacontece e finalmente conseguirei avançar.

domingo, 10 de junho de 2012

Maybe I'm Nothing


 Muito me surpreende que após alguns anos eu continuo fazendo as mesmas coisas, mas ainda fico inseguro e incerto sobre o final das histórias. Bem, o futuro é incerto, eu sei bem disso, mas nessa repetição que acontece na minha vida eu não sei se fico mais confiante pra tentar evitar os mesmos erros, ou se fico triste por ver que não funcionou até então, porque funcionaria agora?
 Vim pensando sobre isso no caminho para casa, e um momento da minha infância veio realmente a calhar no meu entendimento de um por que. Todos que lerem este já devem ter visto Sakura Card Captor, e uma (na verdade duas) carta (s) me fizeram entender. Primeiro uma carta sem nome, que surge apenas no ultimo episódio que vou chama-la aqui de ‘the love’, meus sentimentos por alguém fazem todo pensamento racional que eu poderia ter simplesmente evaporar, como um borrifo de água em uma chapa quente, então admito que sou guiado por sentimentos e impulsos, mesmo sendo tímido (sim, por mais que eu aparente ser uma pessoa sem vergonha e cara de pau, em questão de envolvimentos sentimentais eu sou tímido). A segunda carta é ‘the hope’ (uma união de ‘the love’ com ‘the nothing’). Eu crio esperanças em tudo, por mais que as chances sejam as mais remotas.
 Eu sempre vou ter nem que seja uma ponta de expectativa, isso somado a minha falta de racionalidade responde a minha pergunta de o porquê eu insisto na mesma história mais de uma vez. E o porquê eu estou prestes a investir de novo, mesmo sabendo do risco de me machucar e de ficar como eu terminei em todas às vezes passadas. Ok, prestes não, estou investindo, e até agora não estou arrependido pois sinto que é diferente, tomara que seja assim até o fim.
   


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ciclos e Fases 2.0

Já escrevi aqui uma vez sobre meus ciclos e minhas fases, mas venho novamente comenta-los porque descobri algo que chega a me surpreender, eles são muito maiores que eu imaginei.
Minha vida retomou um rumo de dois anos atras: finalmente recuperado de um amor após quase um ano, sentindo-me pronto para buscar uma nova paixão mas não conseguindo achar uma pessoa em especial. Nesse período desde que superei meus sentimentos(ia dizer antigos sentimentos, mas ainda o amo, só que de uma maneira diferente) já me interessei por 4 pessoas... Uma foi uma ilusão de alguns dias por uma interpretação errada de um pedido, que minha mente facilmente influenciável fez o favor de depositar um pouquinho de esperança. A segunda e a terceira foram atrações antigas que voltaram, mas dessa vez meu lado racional conseguiu vencer e mostrar as probabilidades extremamente baixas. Esta quarta ainda me intriga, pois mesmo eu vendo a falta de chance eu ainda quero tentar algo, mesmo que eu já não esteja com aquela fascinação de inicio, ainda tenho um grande interesse.
Minha vida amorosa voltou, meus amigos continuam grande parte os mesmos, alguns antigos foram substituídos por novos cada um a sua razão. Por fim consigo escrever novamente, não com o mesmo talento de antes, mas num nível aceitável e que eu considero superior ao de quando comecei a escrever por prazer.
Bem, estou me enrolando aqui, termino este apenas desejando que tudo entre nos rumos, que eu ache a pessoa certa e quem sabe eu vivo um novo grande amor. E uma anotação: Não acredito que exista uma única pessoa ideal, mas sim algumas com quem você vai se relacionando até uma conseguir te ganhar de vez, e você conquistar ela.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Midnight Circus

Estava ele na corda bamba, entre as Torres mais altas do picadeiro. Nunca se arrependeu de ter fugido com o circo, mesmo passando por tempos difíceis e tendo uma vida dura, não agüentaria mais um ano com sua antiga vida de filhinho de papai com tudo do bom e do melhor a um estalar de dedos. Muitos matariam para ter o seu passado, mas ele não, estava acima da superficialidade, sua vida era a arte, brilhar sob os holofotes e ser reconhecido pelo seu próprio esforço.
Quando uma voz baixa veio da entrada da grande lona:
— Até quando você pretende ficar ai em cima, já se passaram 3 horas que você está andando de um lado para o outro nessa corda.
Era ela, a motivação final que o fez entrar no circo, por mais que fosse apenas uma assistente de magico, era a mulher mais encantadora que havia conhecido.
— Faz me sentir bem, estou acima do mundo... De certa forma em um mundo só meu, onde ninguém pode me alcançar.
— É mesmo? — ela sorriu, em dois passos já estava ao pé da escada e começou a subir com a firmeza de uma domadora de leões, a determinação de uma mestra de picadeiro e numa velocidade que nem ele mesmo nunca conseguiu. Em poucos segundos estava ela se equilibrando ao seu lado — acho que te alcancei — deu-lhe um pequeno empurrão no braço, que quase não fez efeito, ele era o melhor equilibrista que aquele circo já havia visto.
— Você continua me surpreendendo, sabia?
Ela sorriu — Incrível como você não aprendeu nada nesses anos com a gente.
— Como não? Não há homem ou mulher na face da terra que faça um show melhor que o meu.
Ela se aproximou gentilmente dele, encostou nele e lhe deu um pequeno peteleco. Ele se desequilibrou totalmente e foi jogado quase na beira da rede de proteção, olhou para ela, espantado que aquela criatura delicada tivesse conseguido tal feito. Ela pulou e cai feito uma folha, como se não tivesse pressa de alcançar a rede e caiu de pé, parecia que a gravidade era diferente pra ela, que não era fixa, mas sim totalmente manipulável.
— Sabe o melhor ensinamento que aprendi com o magico? — ela perguntou olhando para uma claraboia retratíl no alto da lona, por onde aparecia o céu estrelado.
— O que?— ainda estava espantado com o que tinha ocorrido.
— Que as pessoas querem respostas magicas para seus problemas do dia a dia, mas elas ainda se recusam a acreditar em magia !
— O que você quer dizer com isso? — não estava entendo o que ela queria.
— Você entrou no circo porque acho sua solução magica, mas ainda esta longe de realmente se livrar de seu passado... Você precisa descobrir todos os segredos que esse picadeiro possui antes de realmente 'ser' dele. — sorriu e sentou na rede — Até mesmo o homem mais inabalável do mundo pode ser atingido, só é preciso acreditar.
— Acho que você está levando seu trabalho muito a serio!
Ela abaixou a cabeça e caiu na gargalhada:
— Você realmente não aprende nada! — tirou a corrente que usava, um cordão com um pequeno pingente de cartola — Está vendo?
Ele só afirmou com a cabeça, ela segurou em uma das mãos de um modo que toda a jóia ficava escondida na sua mão:
— Você só vai voltar a ver isso quando entender o que eu quero dizer.
Ele riu
— Então o que vc me diz disso? — pegou a mão dela e a abriu, a corrente não estava mais lá — Você realmente é boa com truques!
— Se você acha — pulou da rede e caiu com a mesma suavidade de antes — a gente se vê!
Ao olhar ela de longe reparou, ela não tinha onde esconder a corrente, sua blusa regata claramente mostraria se algum volume metálico estivesse sob ela, e sua bermuda não tinha bolsos e estava muito grudada ao corpo, porém sem nenhum volume que chegasse perto de parecer a cartola. Algum dia a faria mostrar como fez o truque.
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Acordou no meio da madrugada e começou a chorar, a lembrança daquela noite no circo, depois de passados 20 anos, foi impactante. Nunca mais falou com ela, não desde que brigaram e saiu do circo, voltou para a sua vida de antes sob os luxos de seu pai e dizia estar arrependido de ter passado aqueles anos junto com os 'desqualificados do circo'.
Sentou-se a beira da janela, havia se tornado exatamente o que seu pai era, um rico mesquinho que só se importa com a imagem e si mesmo.Agora entendia o que ela quis dizer, e quanto mais se arrependia de ter largado sua vida de esperança e delicadeza no circo, mais chorava.
De repente ouve a campainha tocar, quem seria a essa hora da madrugada? Levantou, enxugou as lagrimas e foi até a porta, olhou pelo olho magico... Não havia ninguém, provavelmente só uma criança que não tem nada o que fazer pregando peças na vizinhança, não seria a primeira vez. A campainha tocou de volta e de novo ninguém no olho magico, abriu a porta e nada, quando olhou pra baixo um pequeno envelope volumoso, o pegou e entrou em casa. Abriu-o um papel e mais um envelope, virou o papel e seu olhos não acreditavam no que estavam vendo, uma foto dele e dela, sentados na corda bamba e uma pequena anotação 'eu sabia que você entenderia' olhou para o envelope menor, não poderia ser o que ele achava que era, rasgou-o e de dentro caiu aquele objeto que não via a duas décadas, a pequena cartola em seu cordão, enrolou-os entre as mãos e recomeçou a chorar, ele finalmente havia entendido!

*Notas de rodapé:
1- Não tem o mesmo nível que meus textos tinham, mas tentarei recuperar.
2- A frase "as pessoas querem respostas magicas para seus problemas do dia a dia, mas elas ainda se recusam a acreditar em magia" é de um seriado, Once Upon a Time... De um dos meus personagens favoritos, Mad Hatter!
3- Escrevi esse texto ouvindo o Mini-Album "Midnight Circus" do grupo Sunny Hill, recomendo!

Desculpas antes de tudo

Okok, mais de um ano sem postar aqui, esse lugar está um tanto quanto(também conhecido como muito) abandonado... A maior crise de inspiração da minha vida + ano de vestibular foram os responsáveis, mas vou tentar(de acordo com o que minha inspiração momentânea deixar) voltar a escrever pra cá... vou postar um texto que escrevi esses dias de madrugada pra começar essa nova época!